segunda-feira, 19 de março de 2012

Capítulo 24 - Morte Suspeita

- Então, vamos recapitular. Você disse que o Henrique ficou doidão, atirou no meio da testa do Emiliano, depois atirou na garota, que estava gritando. Logo depois disso, você saiu correndo. E depois o Henrique atirou na própria testa. Agora, me diz como isso é possível.
- Como o quê é possível? Eu já expliquei.
- Como é possível você saber que o Henrique atirou na própria testa, já que você saiu correndo depois que ele atirou na garota? – Insistiu Marcelo.
- Eu acho que é a coisa mais óbvia, não é? Se ele atirou na testa dos outros dois, ele ia se matar do mesmo jeito.
- Acontece que ninguém sabia que o Henrique tinha morrido com um tiro na testa, a causa da morte não foi divulgada para a imprensa. Agora eu estou aqui me perguntando como é que você sabia disso...
- Já disse, era o mais lógico.
- Acontece, Roberto, que seria muito difícil o Henrique dar um tiro na própria testa sem ser à queima-roupa, e foi o que aconteceu. O tiro nele foi de longe. – Disse Marcelo, de olho em Roberto, cuja boca começava a tremer involuntariamente.
- Eu... Eu... Foi o Washington!
- Como é? – Perguntou Fabrício, incrédulo com a mentira que o Roberto tinha acabado de inventar.
- Isso mesmo, foi o Washington! Ele entrou no quarto correndo, depois de ouvir os tiros. Ele entrou, passou por mim no corredor, e foi para dentro do quarto armado. Só pode ter sido ele quem matou o Henrique.
- Mas você tinha dito antes que o Washington tinha deixado o Emiliano no hotel e ido embora logo depois. – Apontou Fabrício.
- É, eu me confundi.
- Eu acho que não foi nada disso. Você está é procurando uma maneira de tirar o seu da reta. Na verdade, foi você que atirou no Henrique. E depois saiu calmamente pela saída dos fundos do hotel, para que o porteiro não visse e demorasse mais ir bater na porta e achar os corpos. – Afirmou Marcelo.
- Oficial, leva esse cara daqui, porque ele não tem mais nada a nos dizer. Prendam-no. – Mandou Fabrício.
- Mas esperem! E o acordo? E as minhas garantias? Não fui eu, foi o Washington!
- As suas garantias já eram, e não tem como você escapar dessa. Acabei de receber uma mensagem do nosso pessoal, eles encontraram uma arma na sua casa que tem o mesmo calibre das balas que foram encontradas nos mortos. Além de metido, é burro, pois não sabe nem se livrar de uma arma do crime. Agora, a sua conversa não é mais com a gente. Vá tentar convencer um júri de que você é inocente. Boa sorte.
Roberto foi retirado aos berros da sala, dizendo que ainda tinha direito a um acordo. Fabrício olhou para Marcelo e disse:
- Dever cumprido. Agora, vamos dizer à mãe da Maria Amélia que ela pode dormir sossegada: descobrimos e prendemos o assassino da filha dela.
- Vamos nessa, e logo depois, vamos tomar um café e encerrar o dia.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Capítulo 23 - Morte Suspeita

- E como foi essa festinha? O que aconteceu de errado para todo mundo acabar morto? – Perguntou Fabrício.
- Mas espera... Não foram todos que morreram... Olha só que coisa, temos um sobrevivente! Pode ir contando direitinho o que aconteceu, e não tenta enrolar.
- Sem estresse... Acontece que o Henrique cheirou muito pó, e enlouqueceu. Do nada, ele disse que queria brincar de caubói. Ele tirou uma arma das costas e começou a correr atrás do Emiliano e da garota, que ficaram assustados e corriam do Henrique.  Uma hora, eles ficaram encurralados no banheiro, e o maluco do Henrique deu um tiro no meio da testa do Emiliano. A garota levou um susto, e começou a gritar, desesperada. O Henrique levou um susto e resolveu atirar no meio da testa dela também, achando que ela ia bater nele, ou algo assim. Como ela estava perto da janela, ela acabou caindo lá embaixo. E foi isso.
- Mas está faltando um pedaço nessa história. E o Henrique?
- O Henrique, depois de ver o que tinha feito, apontou a arma pra testa dele e atirou.
- Mas acontece que isso seria impossível. Então, é melhor você rever a história e contar de novo. – Disse Marcelo.
- Mas como assim? Foi isso que aconteceu, eu vi tudo e saí correndo depois que o Henrique atirou na garota.
- Se você saiu correndo quando o Henrique atirou na garota, como é que você sabe que ele se matou? – Perguntou Marcelo, quando viu que Roberto estava começando a suar. A mão dele também estava tremendo levemente.
- Olha... Eu...
- É melhor você dizer o que aconteceu, antes que a história fique ainda mais complicada pro seu lado.
- Mas eu estou falando a verdade!
- Olha, eu tenho certeza que você está mentindo pra gente. E sabe como eu sei disso? Porque eu sei exatamente o que foi que aconteceu naquela noite.
Marcelo disse isso e continuou a falar, sem dar tempo a Roberto para ele se retratar. E, enquanto falava, ficou de olho nas reações do suspeito.