- Então, vamos recapitular. Você disse que o Henrique ficou doidão, atirou no meio da testa do Emiliano, depois atirou na garota, que estava gritando. Logo depois disso, você saiu correndo. E depois o Henrique atirou na própria testa. Agora, me diz como isso é possível.
- Como o quê é possível? Eu já expliquei.
- Como é possível você saber que o Henrique atirou na própria testa, já que você saiu correndo depois que ele atirou na garota? – Insistiu Marcelo.
- Eu acho que é a coisa mais óbvia, não é? Se ele atirou na testa dos outros dois, ele ia se matar do mesmo jeito.
- Acontece que ninguém sabia que o Henrique tinha morrido com um tiro na testa, a causa da morte não foi divulgada para a imprensa. Agora eu estou aqui me perguntando como é que você sabia disso...
- Já disse, era o mais lógico.
- Acontece, Roberto, que seria muito difícil o Henrique dar um tiro na própria testa sem ser à queima-roupa, e foi o que aconteceu. O tiro nele foi de longe. – Disse Marcelo, de olho em Roberto, cuja boca começava a tremer involuntariamente.
- Eu... Eu... Foi o Washington!
- Como é? – Perguntou Fabrício, incrédulo com a mentira que o Roberto tinha acabado de inventar.
- Isso mesmo, foi o Washington! Ele entrou no quarto correndo, depois de ouvir os tiros. Ele entrou, passou por mim no corredor, e foi para dentro do quarto armado. Só pode ter sido ele quem matou o Henrique.
- Mas você tinha dito antes que o Washington tinha deixado o Emiliano no hotel e ido embora logo depois. – Apontou Fabrício.
- É, eu me confundi.
- Eu acho que não foi nada disso. Você está é procurando uma maneira de tirar o seu da reta. Na verdade, foi você que atirou no Henrique. E depois saiu calmamente pela saída dos fundos do hotel, para que o porteiro não visse e demorasse mais ir bater na porta e achar os corpos. – Afirmou Marcelo.
- Oficial, leva esse cara daqui, porque ele não tem mais nada a nos dizer. Prendam-no. – Mandou Fabrício.
- Mas esperem! E o acordo? E as minhas garantias? Não fui eu, foi o Washington!
- As suas garantias já eram, e não tem como você escapar dessa. Acabei de receber uma mensagem do nosso pessoal, eles encontraram uma arma na sua casa que tem o mesmo calibre das balas que foram encontradas nos mortos. Além de metido, é burro, pois não sabe nem se livrar de uma arma do crime. Agora, a sua conversa não é mais com a gente. Vá tentar convencer um júri de que você é inocente. Boa sorte.
Roberto foi retirado aos berros da sala, dizendo que ainda tinha direito a um acordo. Fabrício olhou para Marcelo e disse:
- Dever cumprido. Agora, vamos dizer à mãe da Maria Amélia que ela pode dormir sossegada: descobrimos e prendemos o assassino da filha dela.
- Vamos nessa, e logo depois, vamos tomar um café e encerrar o dia.