- Olha, é melhor você parar de enrolar. Vai logo contando o que aconteceu naquela noite.
Roberto olhou para os dois policiais. Ele viu nos olhos deles de que não teria escapatória, e o melhor seria tentar ficar só com a acusação de tráfico, e dar um jeito de jogar as mortes nas mãos dos falecidos. Seria a melhor saída, e ele ficaria menos tempo preso. O fato do Henrique Furtado ter sido patrão dele não significava muita coisa.
- É o seguinte. Admito, eu faço tráfico de drogas. E vou contar tudo o que aconteceu, mas quero saber se rola algum acordo se eu entregar pra vocês um peixe maior.
- Que tipo de peixe? O cara para quem você trabalha? – Quis saber Marcelo.
- É, ele. Quero saber se dá pra amenizar a pena, ou algo do tipo. Posso colocar vocês na pista dele.
- O negócio é o seguinte: nós estamos investigando três homicídios. A área de drogas não é com a gente, mas com outro departamento. O máximo que podemos fazer é falar com um amigo nosso de lá, explicar a situação, e ver o que ele acha. Mas, por agora, a nossa preocupação é saber quem foi que matou aquelas três pessoas. Então, pode começar a falar. – Explicou Fabrício.
- Tudo bem, tudo bem. Eu tinha acabado de me encontrar com o Henrique, que tinha me pedido uma quantidade boa de pó. Como ele tinha saído do expediente, nós resolvemos conversar e relaxar um pouco na Rua dos Prazeres, porque lá ninguém costuma encher o saco.
- E como é que o Emiliano entrou nessa história? – Indagou Marcelo.
- Eu tinha dito pro Washington dar uma dura nele, porque ele estava me devendo uma grana boa. Eu disse onde o Emiliano ia estar, e disse pro Washington conseguiu o meu dinheiro ainda aquela noite. Como era uma grana alta, o Emiliano não aceitou muito bem e quis ir falar direto comigo. Como eu estava de bom humor, disse pro Washington levar o Emiliano até onde eu estava, que eu mesmo ia resolver o problema.
- E como foi que você resolveu o problema? Dando um tiro nele? – Disparou Marcelo, esperando para ver qual seria a reação de Roberto.
- Não, cara. Eu não mato ninguém.
- Sei, com certeza. Mas só que essa parte da história a gente já sabe. Falta saber agora o que aconteceu naquele quartinho de muquifo.
- Eu vou chegar lá, calma. O Emiliano chegou, enfurecido porque o jantar dele tinha sido estragado. Eu disse pra ele se acalmar, que não seria assim que ele resolveria as coisas comigo. Ele ficou brigando, dizendo que não andava cheio da grana, e que não teria como me pagar naquele dia. Eu aceitei, mas disse que ele teria que me pagar até o fim da semana.
Roberto fez uma pausa, e viu que nenhum dos dois policiais tinha reagido, nem pretendia interromper. Assim, ele continuou.
- Depois disso, o Emiliano relaxou. Ele ficou mais tranquilo, e até achou que devia chamar uma... Garota para nos fazer companhia e esquentar a nossa pequena festinha.