Ao chegarem no quarto, os dois policias se depararam com uma cena ainda mais aterradora do que a da calçada. Havia um homem estirado no chão, com um tiro na testa, deitado em uma poça de sangue. Junto à janela, havia outra grande poça de sangue, que deveria ser da garota. E uma trilha de gotas de sangue seguia para o banheiro.
- Rápido, desça e avise aos policiais que temos outra cena de crime aqui em cima. – Disse Fabrício ao porteiro do prédio.
- Você não achou estranho o fato de nenhum deles ter saído? – Perguntou Marcelo.
- Na verdade, as pessoas costumam ficar nos quartos até perto de meio-dia. Aqui, o preço é variado: uma hora, três horas, seis horas e doze horas. Muita gente prefere o período de doze horas, então eles ainda estavam na normalidade.
- E por que as pessoas ficam tanto tempo? – Estranhou Marcelo.
- Olha, eu não tenho como garantir que todo mundo é santo. Mas com certeza rolam festas com bebidas e drogas. Por isso o pessoal fica mais tempo. No prédio do lado, o pessoal vai mais pra dar uma trepada. Aí, ficam menos tempo.
- Certo. Vá lá avisar os outros policiais, e não deixe mais ninguém entrar no prédio.
O porteiro saiu, deixando os dois policiais sozinhos para que eles pudessem analisar a cena do crime.
- Fabrício, o cara disse que eram três homens com a mulher, não foi?
- Sim, isso mesmo. Falta só descobrirmos onde é que estão os outros dois.
Os dois seguiram as gotas que iam em direção ao banheiro, procurando o dono do sangue. E acharam: mais um homem, desta vez sentado no chão do chuveiro, com o mesmo tiro na testa.
- Bom, um a menos. Marcelo, vamos vasculhar o resto do lugar, para ver se achamos o terceiro. Ele pode estar por aqui.
Apesar de revistar o quarto todo, eles não acharam o terceiro homem, só mais manchas de sangue. Agora o jeito seria esperar a investigação para ver se achavam o cara, que tinha toda a pinta de ser o atirador.
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